Ecoiconografia

Ilustração do poeta Manoel de Barros

Por Mônica Horta ~ Ecostyle é o ícone da atitude contemporânea. Vivemos uma época de mudança (ou mudança de época?), com mudança de cultura (ou cultura de mudança?). A teoria do “mais é melhor” está decadente, e isso não é uma revolução, mas uma evolução. Por enquanto, só os consumidores “Classe A” estão ansiosos para exibir seu comportamento verde (o que ainda é traduzido em posses), mas existem milhões de outros consumidores, que estão ficando realmente impressionados com o novo “jeitinho eco de ser”, apresentado por famosos (poucos e bons)…

O consumismo puro e simples está sendo substituído pelo essencialismo, onde o prazer está em adquirir o “algo a mais”; produtos e serviços sustentáveis são referências nessa categoria. Existem vários deles sendo lançados agora mesmo no mercado.

Na nossa correria diária contra o tempo, em que buscamos “o acontecimento, a inovação de hoje”, eternizar algo é de fato um desafio absurdo. Só que isso vai acontecer. Assim como foi com a caneta Bic Cristal, de 1950; as sandálias Havaianas, lançadas em 1964; a Cadeira Vermelha, feita em 1983 pelos irmãos Campana, que está na coleção dos principais museus do mundo; e os sapatos e bolsas da marca Melissa, criada há mais de trinta anos, que vende em inúmeros países.

Um produto hoje para atingir o status de ícone, representar uma época, terá que se tornar um ecoícone. Para tanto, além de ser compromissado com o trio “servir, seduzir e surpreender”, e ter ousadia para reconceituar e antecipar/ “inventar” o futuro, terá que ter, digamos, conteúdo, do tipo “tudo isso ao mesmo tempo”: causar impacto visual, propondo soluções com design funcional; inovar desenvolvendo novas tecnologias verdes, cultuando matérias primas naturais e renováveis; ter evidência imediata e ser escolhido, mapeando desejos, fazendo observação estratégica do macroambiente de seus consumidores, para poder contar com o velho boca-a-boca (hoje virtual), e assim gerar reputação da marca (porque reputação obviamente vende); ser reconhecido, trabalhando seu marketing com verdade e responsabilidade socioambiental; e ser muito consumido, por ser capaz de “linkar” sua imagem com causas atuais, relevantes e pertinentes.
Qual será o ícone, ou seja, o ecoícone da próxima geração? Qual sua aposta?

_ Originalmente publicado no Portal ffw.com.br, em 28 de abril de 2011.

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